Imagens da exposição "Mesclado" curadoria de Jorge André Catarino, 2020.
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MESCLADO

 

Felipe Arturo

Luís Lázaro Matos

Curadoria de Jorge André Catarino

Aqui fazemos uma apresentação online das obras de Felipe Arturo e de Luís Lázaro Matos, parte da exposição colectiva MESCLADO com curadoria de Jorge André Catarino em exibição no Espaço Espelho dÁgua na Avenida Brasília, em Lisboa.

Uma exposição que parte do diálogo os trabalhos deste artistas mencionado acima e, que numa primeira instância, esta diálogo assenta na forma como cada artista trata – de modo altamente idiossincrático – a ideia de migração e metamorfose das formas arquitectónicas (em especial as de pendor modernista, na sua busca pela pureza formal). Tomando este aspecto como ponto de partida, 'MESCLADO' explora possibilidades de reescrita e reelaboração histórica, promovendo a sua contaminação, criando ficções e linhas narrativas paralelas ou alternativas àquelas encerradas pela historiografia oficial.

Esta atitude de permanente mestiçagem do oficial com o vernacular, presente nas práticas de Felipe Arturo e Luís Lázaro Matos, espelha, de certo modo, o comportamento das narrativas de tradição oral: histórias cujos caracteres se vão diluindo à medida que aquelas atravessam fronteiras e se disseminam geograficamente, adaptando-se e adquirindo novas formas e significados, ao mesmo tempo que mantêm uma raiz comum, arquetípica.

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Imagens da exposição "Mesclado" curadoria de Jorge André Catarino, 2020.
The Nomadic City of Camela
The Nomadic City of Camela
Luís Lázaro Matos, The Nomadic City of Camela (2017), © video artista / courtesia.
FELIPE ARTURO - Cine Palmera
Cine Palmera
Felipe Arturo, Cine Palmera [ 2017-2019], © video artista / courtesia.
Felipe Arturo

Unfinished concrete chair #12, 2015

Reinforced concrete

96 × 80 × 70 cm

unique artwork.

A instalação Variations of unfinished concrete chairsé composta por uma série de cadeiras em betão armado, construídas a partir de molde directo. Referenciando a obra de Sol Lewitt, Incomplete Open Cubes(1974), cada cadeira resulta de uma variação a partir da matriz inicial de um cubo. Tratando-se actualmente de um conjunto de 12 cadeiras, o seu carácter modular permite que sua expansão seja virtualmente infinita, assente em variações únicas, sempre inacabadas, da mesma matriz.

Felipe Arturo joga com a referencialidade de 1974 e materiais, em particular aqueles ligados ao cânone modernista: o modo cada forma ou material encerra uma narrativa particular, frequentemente ligada a dinâmicas de poder, imposição ou assimilação cultural, e que implicam, necessariamente, questões políticas, socioeconómicas, e de representação cultural. 

 

No caso de Variations of unfinished concrete chairs, trata-se da migração e exportação dos princípios do Modernismo ligados à Arquitectura, e o seu confronto com métodos de construção tradicionais, vernaculares ou efémeros, lógicas ausentes do modelo modernista.

O cubo decomposto por Lewitt, paradigma da natureza serial e modular tão caras ao modelo modernista, e uma das razões do seu sucesso e aplicabilidade em diferentes contextos, é, assim, no trabalho de Arturo, reconfigurado enquanto cadeira, objecto de assinatura de arquitecto, adoptando o aspecto de ruína: o fim - inevitável, diríamos - reservado para qualquer forma arquitectónica.

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