Projecto O.R.I.G.O

Inês Norton
 



Projecto O.R.I.G.O   Num contexto em que a tecnologia digital se desenvolve a um ritmo sem precedentes, num mundo em que os dogmas caíram em desuso e a fronteira entre realidades se esbate, ténue, o intangível ganha força.

 

A necessidade de rotular uma “forçada” evolução biológica, empodera uma filosofia - transumanista - que visa transformar a condição humana através da amplificação das suas capacidades. Progressivamente imersos num limbo entre realidades (virtual / aumentada/ “real”), os limites de onde uma começa e outra acaba tornam-se imensuráveis.

 

Numa sociedade em que a informação se contradiz á velocidade da luz, vagueamos sem norte em busca de uma verdade absoluta, detida por uma identidade abstrata denominada por inteligência artificial.  Neste contexto, a necessidade de criar uma ferramenta que valide e certifique a origem daquilo que vemos, torna-se essencial.

 

O projecto O.R.I.G.O transfere o enquadramento atrás descrito para um lugar específico. Extrapola e projeta a existência desse certificado e materializa-o num “selo de origem” desenhado para o efeito. 

 

Contudo, o projecto não se encerra na sua fisicalidade. Pelo contrário, aí começam algumas das questões que evoca.

 

Se por um lado este selo pretende legitimamente certificar o meio como natural, num contexto em que cada vez será mais dúbia a distinção entre natureza e ficção (natureza virtualmente desenhada), por outro, numa declarada provocação, o contexto em que nos aparece remete-nos para uma artificialidade clássica que carrega outros temas de ordem histórica e política (estufas/ jardins botânicos no contexto da epoca colonial, em que plantas e animais eram trazidos de outros lugares para servirem propósitos comerciais e estéticos..)  

 

Em tom irônico e provocatório, o espaço é classificado como “man made free”, num lugar onde a sobrevivência das plantas que o habitam depende a 100% do mimetismo ambiental que o homem desenvolve para o efeito. O prazer de ter uma floresta no meio de uma cidade, revela a tendência da sociedade actual em recriar ambientes “naturais” como espaços de fuga e meditação, perante a urbanidade ruidosa e sufocante.

 

O.R.I.G.O fala-nos não só de questões relacionadas com a domesticação e aculturação da natureza resultante da relação esquizofrénica e dos exercícios de poder que o homem estabelece, na sua tentativa de supremacia sobre a mesma, como também da crescente de necessidade de validarmos a autenticidade daquilo que percepcionados como realidade.

 

Pretende ser um “on going project”, cujo conteúdo irá sendo alimentado por pesquisa sobre os temas em debate.

English Version

O.R.I.G.O. Project

Inês Norton

In a context in which digital technology develops at an unprecedent pace, in a world in which dogmas have fallen into disuse and the boundary between realities is blurred, the intangible gains strenght. The need to label a “forced” biological evolution, empowers a philosophy - transhumanist - that aims to transform the human condition through the amplification of its capabilities. 

 

Progressively immersed in a limbo between realities (virtual / augmented / “real” ), the limits of where one begins and the other ends become immeasurable. In a society in which information contradicts itself at the speed of light, we wander without a north in search of an absolute truth, held by an abstract identity called artificial intelligence. 

 

In this context, the need to create a tool that validates and certifies the origin of what we see, becomes essential.

 

The O.R.I.G.O project transfers the framework described above to a specific place. It extrapolates and projects the existence of that certificate and materializes it in a “seal of origin” designed for this purpose.

However, the project does not end in its physicality. On the contrary, this is where some of the questions emerge.

If, in the one hand, this seal legitimately intends to certify the environment as natural, in a context in which the distinction between nature and fiction (virtually drawn nature) will become increasingly dubious, on the other hand, in a declared provocation, the context in which it appears, lead us to a classic artificiality that carries other themes of historical and political order (greenhouses / botanical gardens in the context of tyhe colonial era, in which plants and animals were brought from other places to serve commercial and aesthetic purposes ...)

In a ironic and provocative tone, the space is classified as “man made free”, in a place where the survival of the plants that inhabit it depends 100% on the environmental mimicry that man deveolps for the effect. The pleasure of having a forest in the midle of a city, reveals the tendency of today’s society to recreate “natural” environments as spaces for escape and meditation, in view of the noisy and suffocating urbanity.

The chosen color also reinforces the double readings and interpretations. Pink as the color of artificiality para excellence, but also as a skin color. From our skin that perceives by touch what is “natural” and what is not.

The O.R.I.G.O project talks to us not only about issues related to the domestication and acculturation of nature, resulting from the schizophrenic relationship and the exercises of power that man establishes in his attempt at supremacy over it, but also about the growing need to validate the authencity of that we perceive as reality.

It is intended to be an “on going project” , the content of which will be fed by research on the topics under discussion.